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Os símbolos Alquímicos

 

Os Símbolos Alquímicos  representam conteúdos inconscientes, representam fatos psíquicos, fenômenos autônomos da psique humana que nos são desconhecidos. É de suma importância que compreendamos o sentido oculto por trás do simbolismo alquímico para que possamos assimilá-los e integrá-los à consciência do eu.

 

A título de exemplo a figura ao lado, representa aspectos da personalidade total do indivíduo. A personificação do Sol representa a parte consciente do indivíduo e a personificação da Lua representa a sua parte inconsciente (no caso do indivíduo homem).

 

A psicologia da mulher é diferente, segundo Jung, a personificação do Sol representaria a parte inconsciente da Mulher, enquanto que a personificação da Lua representa sua parte consciente.

 

Ainda na figura  ao lado podemos ver um senhor alado, este é a personificação de Mercurius símbolo alquímico da substância da transformação... Essa substância da transformação é formada, por assim dizer, quando a parte consciente da personalidade se volta para a parte inconsciente (os opostos se unem num conflito aparente - o confronto com o inconsciente).

 

O fato de o Mercurius aparecer na versão alada, já representa a união dos opostos no seu estado harmônico, uma vez que o Mercurius aqui é configurado em seu aspecto espiritual (asas- alado e não no seu aspecto sombrio e inferior). Nesse caso o Mercurius alado é o mediador entre os opostos, pode ser visto como aquele terceiro que nasce da consciliação entre a parte  consciente e inconsciente da personalidade.

 

Mas antes que o indivíduo alcance esses estado harmônico entre os opostos internos conflitantes, as etapas que seguem a Nigredo são simbolizadas pelo Leão e a serpente (estes representam, dentre outros, aqueles aspectos instintivos, primitivos da personalidade que não se diferenciaram e ainda estão num estado originário primitivo) essas fases são as mais perigosas, pois são carregadas de afetos primitivos, emocionalidades que o "eu" não consegue controlar.

 

A transformação de ambos (consciente e inconsciente) só ocorre se o "eu" (complexo do eu - o ego) aguentar, caso contrário o "eu" pode ser engolido pelo inconsciente (tema recorrente do mito do Dragão- Baleia que devora o herói).

 

Nesse confronto com o inconsciente, o indivíduo percebe as forças dinâmicas das profundezas da alma, os impulsos inconscientes e,  é nesse momento que "o complexo do eu - o ego" se sente privado de sua onipotência ilusória. 

 

"O ego sente-se privado de sua onipotência ilusória e confrontado pelo sombrio e assombroso poder do inconsciente. Essa condição pode durar muito tempo, por anos até, à espera de que se tornem conscientes todas as partes sombrias e de que todas as personalidades parciais autônomas (complexos autônomos) sejam reconhecidas e subjugadas ou demésticadas moralmente." ( C. G. Jung - Seu mito em nossa época - Von Franz)

 

 

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ONDE PODEMOS ENCONTRAR EQUIVALENTES DOS SÍMBOLOS ALQUÍMICOS?

 

 

 

 

 

Conforme Jung, é na escuridão da alma humana que se encontram todas aquelas oposições, aqueles fantasmas grotescos e aqueles símbolos vulgares, que tinham fascinado o espírito dos alquimistas, tanto confundindo-os como iluminando-os.

 

A compreensão alquímica corresponde à integração do inconsciente na consciência, com o que os dois se modificam. (Mysterium Coniunctionis 2)

 

A união dos opostos internos requer um esforço humano, a formação do centro que a priori existe no indivíduo e que Jung designou como si-mesmo precisa de interesse, dedicação e empenho por parte do indivíduo.

 

 

 

 

Temos o símbolo de Mercurius dentro do vaso alquímico passando pelo processo de calcinação. Nesse processo tanto consciente e o inconsciente passam pelo processo de transformação que se inicia com a Fase da Nigredo.

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O QUE  CORRESPONDE AS FASES ALQUÍMICAS NO INDIVÍDUO?

 

 

 

 

De modo geral as fases do processo alquímico representam etapas de transformação psíquica no indivíduo, representam como se fossem um processo de iniciação, em outras palavras, representam etapas que o indivíduo terá de enfrentar para que partes de sua personalidade total que são inconscientes tornem-se conscientes. Além do mais, é durante o processo de transfomração que o indivíduo se apercebe do centro da personalidade total (este novo centro não coincide com o "complexo do eu - o ego"), esse novo centro é um plano intermediário entre o "eu consciente" e o "eu inconsciente"; em várias tradições esse plano intermédio foi designado como sendo o verdadeiro homem interior, quando o indivíduo percebe e compreende a existência desse novo centro da personalidade total ele tornar-se uno consigo mesmo, alcança aquele estado em que se torna uno com a alma do mundo. (anima mundi)

 

 

[...] então ela (Opus Alquímica) decerto deve ser entendida preferivelmente de modo figurado, e isso como simples processo psíquico de crescimento e de transformação;... (Mysterium Coniunctionis 2)

 

 

 

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Sobre a Fase da Nigredo

 

 

 

A Fase da Nigredo, por exemplo, representa o início do opus, é a etapa que corresponde a primeira união entre os opostos, ou seja, a tentativa de união entre a parte consciente e inconsciente da personalidade do indivíduo. Essa primeira união ou hieros gamos (casamento sagrado) possui um caráter nefasto, uma vez que, a “consciência do eu” se coloca em estado de negrura, ou melhor dizendo, em um estado de inconsciência conjuntamente com a parte inconsciente da personalidade.

 

 

É nessa primeira união que o indivíduo terá a oportunidade de conhecer o lado obscuro de sua personalidade, tudo aquilo que escondemos dos outros, tudo aquilo que evitamos ao máximo olhar, as profundezas de nossa alma.

 

Para os alquimistas e para Jung a fase da Nigredo também corresponde o confronto com a própria sombra, aquela parte da personalidade que não se desenvolveu e que ficou em um estado arcaico de indiferenciação ….

 

 

A Nigredo - confrontação com o sombra causa primeiramente um equilíbrio morto ou uma parada (estagnação) que impede decisões morais, e torna ineficazes as convicções, e mesmo as impossibilita. Tudo se torna duvidoso, e por isso os alquimistas denominavam adequadamente esse estado inicial como nigredo (negrura) tenebrosias (escuridão), caos e melancolia. (Mysterium Coniunctionis 2)

 

 

 

 

O Símbolo do dragão, da serpente e do leão verde

 

Um símbolo que nos chama bastante atenção e nos causa até um receio, um medo é o símbolo do dragão ou serpente. Presente em várias mitologias, como em Tiamat na mitologia suméria e babilônica (anterior a 1200 a.C, há informações de que há uma versão ainda mais antiga, anterior a  1792 a.C.).

 

Na mitologia egípcia existe a grande serpente Apófis, e mesmo no inferno cristão existe a "antiga serpente" (isto é o diabo).

 

Quase sempre esse monstro representa o caos primordial, ou mesmo uma forma ctônica, o mundo inferior ou inferno. Se transpusermos esse símbolo para o contexto psíquico individual, como os alquimistas fizeram sem ter consciência de que estavam projetando, o dragão ou a serpente representa aquela camada da alma qua ainda não foi transformada em conciência e ainda permanece em seu estado indiferenciado primitivo, animalesco, e que o indivíduo sente muitas vezes como emocionalidade passional.

 

Os conteúdos inconscientes são carregados de afetos primitivos. Quando o indivíduo confronta-se com a parte de sua alma que é obscura (o inconsciente ou a sombra) toda essa carga de energia instintiva que antes estava escondida nas projeções, é como se agora voltassem contra o próprio indivíduo, é como se o indivíduo passasse a se conhecer a partir do seu estado inconsciente, instintivo, animalesco. 

 

Essa fase é bastante dolorosa (faz parte da nigredo), pois aqui já começa um retraimento das projeções (não há mais bode expiatório) e o indivíduo se  defronta com o aspecto tenebroso da alma instintiva.

 

Por que é tão dolorosa essa fase? porque como Jung diz, gostamos de pensar que somos apenas bons, civilizados, belos etc., estamos identificado apenas com o aspecto luz da consciência, os aspectos sombrios e mesmos não desenvolvidos ( que ficaram num estado de indiferenciação, inconsciencia arcaica) se quer temos uma noção que eles fazem parte da nossa constituição psíquica (de nossa personalidade total) nem se quer sabemos que são eles que nos influenciam desde nossas entranhas interferindo em nossas percepções de mundo.

 

Esse aspecto inferior da alma humana é representado pelo dragão ou a serpente ou mesmo o leão verde, em outras palavras representa uma etapa perigosa do processo de tranformação.

 

É essa parte de nossa alma que deve ser sacrificada, é ela que aparece em algumas tradições, mitos antigos como símbolo de um animal que precisa ser sacrificado.

 

 

 

O velho dragão representa um ser primitivo que mora nas cavernas da terra, isto é, em linguagem psicológica, uma personificação da alma instintiva, que geralmente vem simbolizada por répteis. Parece que com isso as concepções alquímicas querem exprimir que o próprio inconsciente prepara o processo da renovação. - Mysterium Coniunctionis 2

 

[118] O dragão, isto é, a serpente representa a inconsciência primordial, pois este animal – como dizem os alquimistas – gosta de permanecer “in cavernis et tenebrosis locis”: Esta inconsciência deve ser sacrificada. Só então poder-se-á encontrar a entrada para a cabeça, isto é, para o conhecimento consciente. -  Estudos Alquímicos

 

A consciência coloca-se numa situação perigosa pela descida ao inconsciente; aparentemente, é como se ela se extinguisse. A situação é a do herói dos primórdios devorado pelo dragão.- Psicologia e Alquimia

 

 

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