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Sobre "O Em Busca do Eu"

 

 

Por que o nome do site, do canal é "Em busca do Eu"?

 

Notadamente o nome foi uma inspiração do inconsciente. Quando estava em um dos processos da Nigredo, em um momento de introversão profunda perguntei Quem Sou Eu de verdade" para além de toda a angústia, para além do turbilhão de sensações, emocões, sentimentos tão estranhos  que que me assaltavam por dentro.

 

Aquela altura o inconsciente já tinha irrompido na consciência ,e eu já não tinha certeza de mais nada sobre minha personalidade, isto porque, uma parte de mim que eu não conhecia emergiu das profundezas do inconsciente, estava totalmente perdida, tinha apenas algumas intuições que me pareciam ser fortes de mais,  maiores do que eu, por assim dizer, para poder deixá-las de lado.

 

Com isso vieram também outras questões como:

Por quê tudo aquilo estava emergindo? qual era o sentido dos pressentimentos, das intuições, das percepções que pela primeira vez pude constatar dessa parte inconsciente. 

 

Minha busca era compreender o que eles significavam? Por quê eu estava passando por aquilo? (o confronto com a parte inconsciente). Foi assim que surgiu o "Em busca do Eu".

 

Pela primeira vez tive acesso as obras de Jung e o que me chamou mais atenção, foi o fato como Jung descrevia os sintomas da neurose, os conceitos de sombra, inconscinte coletivo, animus etc., como ele descrevia as experiências com o inconsciente (tanto da sua própria parte , como de seus pacientes) e o quanto elas se encaixavam com o que eu estava vivendo nesse período de obscuridade mental.

 

É claro que só depois compreendi que o "Eu" que eu estava buscando era o resultado da união da parte consciente (o pequeno eu-ego) com a parte inconsciente ( a parte estranha que emergiu de minhas profundezas). Foi só  então que surgiu a resposta " Estou em busco do Eu" , não do "eu egoico" , o "eu" da infância, adolescência, mas  esse " Eu" que eu buscava me parecia ser mais amplo, o qual eu conhecia apenas uma parte (o eu consciente), a outra parte (o inconsciente) me parecia ser objetiva, como os impulsos, os afetos que me assaltavam por dentro.

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Para Jung o ponto vernal da precessão tinha alcançado o segundo peixe (da Constelação de Peixes) no século XVI, isso simbolizaria, dentre outras, uma mudança de percepção na mentalidade daquela Época (que se iniciara bem antes, no início do século XI)

 

"O ponto de intersecção da ecliptica com o meridiano do segundo peixe (ou de sua cauda) cai aproximadamente no século XVI que, como se sabe, é sumamente importante para a história de nosso símbolo no Ocidente." - Aion

 

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O início do século XI começou uma nova era a era do Espírito - Uma das vozes mais poderosas e influentes desse movimento foi Joaquim de Fiore, cujos ensinamentos foram condenados no Quatro Concílio de Latrão em 1215.

 

Joaquim de Fiore foi um abade cisterciense e filósofo místico, defensor do milenarismo e do advento da idade do Espírito Santo.

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Parece que fica claro que os dois peixes (hostis) nadando em posições contrárias simbolizavam tanto os opostos coletivos (século XI-  A Igreja como única mediadora da salvação e de experiências com o Divino VS O movimento do Espirito Santo - estes como experiências individuais numinosas com o Divino);  (século XVIII- Fé cristã VS Razão, Renascimento, Iluminismo); (Cristo VS Anticristo), como os opostos internos (consciência do eu-ego VS o inconsciente em toda sua extensão- incluindo sombra, inconsciente pessoal e coletivo)

Alberto Magno (1139- 1280) filósofo, escritor, cientista e teólogo católico   reverenciado  como santo. Era um frade dominicano alemão e bispo. E também um Alquimista.

 

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Tomás de Aquinos, (1225-1274), frade católico, teólogo medieval, considerado o doutor da Igreja.

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Roger Bacon (1214-1294) frade, filosófo e Padre Inglês.

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Mestre Eckhart (1260 - 1327), frade, teológo e filosófo

 

As mudanças da Era de Peixes para a Era de Aquário

 

 No início do Século XI começou um movimento chamado "movimento do Espírito Santo"  um abade chamado Joaquim de Fiore falava do advento de uma nova era, a Era do Espírito, a era do Evangelho eterno, segundo Jung foi uma época assinalada por um instabilidade espiritual, por heresias revolucionárias e pela fundação das Ordens medicantes (o monaquismo - um modo de vida religioso no qual se renunciava às atividades mundanas para se dedicar totalmente às atividades espirituais).

 

Os ensinamentos desse abade  foram condenados no Quatro Concílio do Latrão 1215. Para Jung  a era do monaquismo ou reinado do Espírito Santo era uma nova disposição (do Inconsciente Coletivo para o Consciente Coletivo) que aparecia primeiramente como um estado preparatório mais ou menos latente, ao qual só depois  se segue a frutificação, a florescência. 

 

Na época de Joaquim este florescimento ainda não tinha começado, mas era possível observar um estado de inquietação e um movimento extraordinários e largamente difundidos dos ânimos. Todos sentem essa agitação do vento do Pneuma.

 

Era com efeito, uma época de ideias novas, e em parte inauditas, que se difundiam por toda parte, por exemplo : nos movimentos Cátaros, dos Potarinos (ele cita vários outros movimentos aqui) - Parece que esses movimentos tinham haver com experiências com o inconsciente coletivo, porém, era sentido como Revelação do Espírito Santo, tem um trecho de um autor contemporâneo que ele descreve o que estava acontecendo de fato naquela época, quais eram as concepções que estavam sendo geradas.

 

O referido trecho diz o seguinte: "Acreditam também que são Deus por natureza, sem distinção... e que são eternos, não precisam de Deus nem da divindade, eles se denominan irmãozinhos e são o próprio Reino dos Céus. Dizem tbém que são imutáveis na rocha nova; que não se alegram com nada, nem se perturbam com coisa alguma. E que o homem tem mais obrigação de seguir os impulsos interiores do que  a verdade do Evangelho que é pregado todos os dias. Dizem que muito do que há aí (no Evangelho) são invenções que nada tem de verdadeiro."

 

Em vez de muitas citações, creio que bastam estas poucas frases para caracterizar a "mentalidade reinante nestes movimentos" ou seja, era uma mudança de mentalidade que começava a surgir. Jung comenta : "A numinosidade desse sentimento (pois Joaquim se sentia impulsionado e apoiado por uma corrente universal daquela época, ele considerava como uma revelação do Espírito Santo) era acentuada pela coincidência cronológica (sincronicidade) com o início da esfera do peixe anticristo.

 

Jung disse que o ponto vernal da precessão tinha chegado no segundo peixe da "constelação de peixes" (já que estamos na era de peixes desde mais ou menos o ano 7 a.C cujo começo se deu com o ponto vernal no primeiro peixe, para Jung o ponto vernal no primeiro peixe representa simbolicamente Cristo, e o segundo peixe o seu oposto - o Anticristo).

 

Em seu livro Aion Jung continua: "Inconscientemente, porém, Joaquim poderia estar possuído pelo arquétipo do Espírito, e isto é psicologicamente o mais provável. Não há dúvida de que ele se fundamenta em uma experiência vital numinosa, que é característica de todos aqueles que foram tomados por um arquétipo."

 

É importante ressaltar que logo apareceram outros com o mesmo estilo, ou melhor dizendo, com concepções acerca de um entendimento e compreensão mais profundada da alma (o Inconsciente Coletivo - claro que naquela época as profundezas da alma não era conhecida como Inconsciente coletivo).

 

Jung comenta: "Na época subsequente, os efeitos do movimento do Espírito Santo se fizeram sentir sobretudo mediante quatro inteligências de primeira grandeza: Alberto Magno (1139- 1280); seu discípulo Tomás de Aquino filósofo posterior da Igreja e conhecedor da Alquimia ( juntamente com Alberto) Regério Bacon (1214- 1294), precursor anglo-saxônico das ciências físicas de naturais, e, por último, Mestre Eckhart (1260-1327) pensador religioso independente que hoje conhece uma verdadeira ressurreição, depois de um eclipse de seiscentos anos.

 

Esses movimentos Jung viu como sinal precursor da Reforma (Aqui acho que ele se refere a Reforma de Lutero que dividiu a Igreja, e gerou a Igreja Protestante, se procurarmos pesquisar (no google) como se deu essa Reforma, vamos compreender como esse movimento era uma mudança de percepção, e  há uma grande suspeita de que tratava-se de uma compensação ao predomínio cego dos poderes coletivos daquela época.

 

Parece que naquela época o impulso que vinha do inconsciente encontrou sua forma de atuação em concepções mais abrangentes de uma consciência que aos poucos se separava do estado arcaico e infantil que predominava no coletivo - era necessário que houvesse essas concepções de um estado um pouco mais diferenciado de consciência, por causa do conflito do opostos.


Ao meu ver, essas mudanças de percepções, essas novas concepções que vinham surgindo  tinham haver com o Inconsciente Coletivo de certa forma, pois acredito que é ele (ou mais precisamente aquele Homem Espiritual interior que a princípio é em parte inconsciente) que impulsiona a mudança de percepção.

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"Neste contexto, eu gostaria de lembrar as predições astrológicas que Maitre Michael Nostradamus fez em uma carta dirigida de Salon ao Rei Henrique II da França, em 27 de junnho de 1558."- Aion

 

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"A denominação de Cristo como único peixe o identifica, na concepçãao astrológica, com o primeiro. o que está em posição vertical. O Anticristo sucederá a Cristo no final dos tempos. O início dessa enantiodromia deveria cair, logicamente, entre os dois peixes. Como vimos anteriormente, de fato assim o é. É na vizinhança imediata do segundo peixe que começa a época da Renascença, que dá início áquele espírito que culmina na época moderna." - Aion

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"Este fato é de todo compreensível, em face dos acontecimentos que se achavam em gestação por essa época: o início da Reforma estava às portas. Por isso é que Lutero foi prontamente acolhido como Anticristo, e parece possível que Nostradamus tenha designado o Anticristo que surgiria depois de 1792, como sendo o segundo Anticristo, porque o primeiro já havia aparecido na pessoa do Reformador ou mesmo muito antes na pessoa de Nero ou Maomé." - Aion

 

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"Baseado nas datas astrológicas já conhecidas e nas possibilidades de sua interpretação, Nostradamus pode predizer sem maiores dificuldades, o breve início da enantiodromia do éon cristão; aliás, ao fazer tal previsão, ele mesmo já estava em plena fase anticristã, e lhe servia de porta-voz." - Aion

 

Aion

Para Jung o “Segundo” Anticristo que Nostradamus interpreta como uma antecipação de eventos em 1792 de forças anticristãs, seria também uma enantiodromia que corria em paralelo com o símbolo astrológico de peixes e que se inicia claramente com o Renascimento convertendo-se em acontecimento manifesto.

 

Esse momento era sobretudo o momento que a precessão (ponto vernal) alcançava as estrelas da cauda do segundo peixe.

 

Nostradamus previu uma perseguição catastrófica à Igreja Cristã, considerada maior do que qualquer uma vista na África. Ele previu a ascensão de um poder infernal contra a Igreja (tudo o que era contra aquilo que a Igreja determinava era infernal), chamando essa figura de o segundo Anticristo, que incitaria tribulações significativas e um retorno ao paganismo, indicando uma profunda agitação social.

 

Naquela época acreditava-se que as grandes mudanças estavam baseadas, dentre outras coisas,  em eventos astrológicos, acreditava-se que a conjunção entre júpter (expansão) e saturno (o que dá forma) estariam intimamente ligadas a esses fenômenos coletivos.

 

Jung cita o Cardeal Pierre D’Ailiy (Pedro de Aliaco) que escreveu acerca dessa conjunção entre Júpter e Saturno, acreditava-se que a união dos dois grandes astros era o ponto de partida para as modificações que se seguiriam: 

O Cálculo se baseava nessa máxima coniunctio entre os astros, que segundo esse autor, a primeira conjunção ocorrea no ano de 3200 a.C. no signo de Áries,  "A este número acrescentaram-se, de cada vez , mais 960 (no texto não fala o que simbolizaria essa numeração 960), que resulta, por fim, no anno Domini [ano de nossa era] 1693 como sendo o ano da oitava coniunctio maxima".

 

Jung apontava para determinantes históricos que indicavam  o ano de 1693 (o ano da oitava máxima coniunctio de júpter e saturno) como início de um cálculo para o aparecimento do segundo Anticristo.

 

Havia uma segunda tradição naquela época  que baseava as mudanças ocorridas a nível coletivo  em 10 revoluções de Saturno, ou seja, "A este ano em referência foi combinado com uma outra tradição baseada em períodos individuais de dez revoluções de Saturno (que se completam a cada 300 anos).

 

De acordo com as indicações de D”Ailiy, no ano 11 a.C, encerra-se um período de Saturno (Dez revoluções de Saturno), evento ao qual ele associa o aparecimento de Cristo. No ano 289 terminou também um outro destes períodos.

 

De modo que Jung reúne transformações a nível coletivo ocorridas após essas revoluções de Saturno:

Ano 289 - Surge o Maniqueísmo

Ano 589 - Pronunciaria o advento do Islão

Ano 1189 - Os movimentos do Espírito Santo  e a importante época de Inocêncio III

Ano 1489 - Anunciaria um Cisma da Igreja

Ano 1789 - Por fim indicaria o advento do Anticristo (isto não tomado ao pé da letra, mas por inferência!)

 

"Podemos admitir, sem mais, que Nostradamus conhecia estes cálculos e que corrigiu a data de 1789 por 1792. As duas datas são sugestivas e, à luz dos acontecimentos subsequentes, não é difícil mostrar que os fatos ocorridos nessa época foram precursores significativos de acontecimentos modernos. A instalação da Déesse Raison (deusa Razão) antecipou, na realidade. a orientação anticristã que desde então vem sendo seguida." - Aion

 

Vale relembrar que a Revolução Francesa foi um movimento que derrubou a monarquia absolutista francesa, estabeleceu a República com base nos ideais do iluminismo de liberdade, igualdade e fraternidade, um impacto duradouro na transição da idade moderna para a Contemporânea.

 

Jung enxerga o segundo Anticristo  (pois o primeiro anticristo Jung identifica com o Reformador - acredito que ele está falando de Lutero, pois de certa forma tudo isso era contrário ao cristianismo, ao evangelho de cristo ,ainda que a cisão tivesse ocorrido dentro da igreja), como sendo um movimento coletivo, ou em outras palavras, uma nova disposição na mentalidade coletiva, que mesmo antes de eclodir já se observava um movimento contrário a fé cristã desde Francisco de Fiore, Alberto Magno, Rogério  Bacon e tantos outros e que culminou na Reforma protestante, mas agora na transição da Idade Moderna para a Idade Contemporânea tratava-se da Deusa da Razão como Jung chamava.

 

"A expressão renovation de siècle (renovação do século) [utilizada por Nostradamus] pode significar um novo éon; constitui, no entanto, notável coincidência a adoção da nova era, a contar daquele ano, por parte da Revolução Francesa, que tinha um caráter pronunciadamente anticristão." - Aion

 

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A era de Aquário é uma continuidade de todas as transformações que aconteceram na era de peixes.

Para Von Franz "desde muito antes estava sendo preparada, na tradição alquímica, uma fundamental transformação na perspectiva que, na verdade, não era senão uma nova imagem de Deus e do homem. Esta (imagem) leva a imagem cristã oficial de Deus e do homem a uma nova plenitude e a uma maior completude. Tal transformação é um processo da psique coletiva que é a preparação de um novo éon, a Era de Aquário.” -  C.G. Jung Seu Mito em Nossa Época

 

 

 A Era de Aquário

 

 

Ao que tudo indica Jung acreditava que como a Era de Peixes representava simbolicamente os opostos, sua separação, sua cisão, como podemos perceber nos acontecimentos históricos, assim a Era de Aquário representa o reconhecimento desses opostos e a necessidade integração, superação em um terceiro, esse terceiro é a síntese dos opostos, tanto internamente, a nível individual como a nível coletivo, mas Jung ressalta que essa superação ou união dos opostos deve começar pelo indivíduo.

 

"Se o éon de Peixes foi governado, ao que tudo indica, principalmente pelo tema arquetípico do “irmãos inimigos”, por coincidência, com a aproximação do mês platônico imediato, isto é, de Aquário, coloca-se o problema da união dos opostos. Já não se trata mais de volatilizar o mal como mera privatio boni, mas de reconhecer sua existência real."- Aion

 

"Desde então o ponto vernal se desloca ao longo da borda sul da constelação do segundo Peixe, para entrar em seguida, paulatinamente, no Aquário, durante o terceiro milênio." - Aion

 

O próprio Jung faz uma ressalva quanto a essa data ser muito vaga, astrologicamente o início do próximo éon deverá situar-se entre 2000 e 2200, dependendo do ponto de partida que se escolher. Jung comenta que levando em consideração alguns fatores descritos no item 87 em seu Livro Aion, chegaríamos  ao ano de 2154 para o começo da Era de Aquário.

Para corroborar com essa data fiz algumas pesquisas e encontrei um artigo apontando para o ano de 2150 (fonte: https://planetario.ufsc.br/a-era-de-aquario/).

 

 

 

 

 

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